A reportagem “Sertãozinho: A cidade do trabalho sem trabalhador”, foi premiada com a 2ª colocação na categoria Universitário no 6º Prêmio SENAI de Reportagem. Foram 210 trabalhos inscritos e 23 finalistas em todas as categorias. O premiação foi realizada em Brasília, no dia 28 de julho de 2009 cm a apresentação da jornalista Patrícia Poeta.
>>>>>Segue reportagem escrita
Sertãozinho oferece empregos e faltam trabalhadores
POR Renan Gouvêa
Sertãozinho, a típica cidadezinha do interior paulista, que cresce 14% no ritmo de suas 550 indústrias vai muito bem, obrigado. Esse crescimento, maior do que o chinês, fez com que a cidade oferecesse 32% de vagas de emprego a mais durante 2007. Porém, dados do Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) de Sertãozinho, revelam que a cidade não tem trabalhador com qualificação para assumir os mais de nove mil postos de trabalho ofertados durante o ano passado.
A diretora do PAT de Sertãozinho, Ana Maria Buonagamba, comentou que procurar emprego na cidade realmente está mais fácil do que no resto do país, mas, ainda segundo ela, a falta de mão-de-obra qualificada é o fator que elimina muitos candidatos. “Eu sei que a cidade busca mão-de-obra de fora porque aqui não tem. A cidade cresceu sem profissionais qualificados”, revela.
Mesmo com a importação de mão-de-obra qualificada de outras cidades, trabalhadores que deveriam descansar estão em plena ativa. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Ribeirão Preto e Sertãozinho, os 3.250 metalúrgicos aposentados estão de volta nas indústrias. Além disso, o diretor do Senai de Sertãozinho, principal instituição de qualificação profissional da cidade, Luiz Zambom Neto, disse que a entidade oferece mais de quatro mil matriculas anuais e que a maioria dos cursos oferecidos lá têm quase ou equivalente a 100% de seus alunos recém formados indo para o mercado de trabalho. “Mesmo assim o Senai daqui não consegue atender a demanda que pede a indústria”, desabafa.
Isso acontece por causa de um ‘boom’ que teve Sertãozinho, colocando a cidade como uma das maiores exportadores de açúcar e álcool do planeta. Responsável por isso é a mecanização nos canaviais e a elevação da inovação tecnológica nas indústrias. Conseqüência disso é a falta de mão-de-obra qualificada para lidar com a tecnologia dentro e fora das fábricas.
Para lidar com essa nova realidade o Centro de Indústria de Sertãozinho (Ceise) pretende idealizar um projeto antigo, o “Escola de Fábrica”. O projeto, que tem apoio do Ministério da Educação, prefeitura da cidade, Senai e do Cefet, tem como objetivo qualificar profissionalmente os funcionários dentro das fábricas, atendendo diretamente a necessidade da indústria. “O Escola de Fábrica vai amenizar o que a demanda da indústria pede. Lá nós vamos qualificar profissionalmente nosso pessoal dentro da fábrica e o melhor de tudo isso é que não vamos perder nada. Isso é um investimento e não uma despesa”, explica o presidente do Ceise, Mário Garrefa.
A especialista em gestão estratégica de pessoas pela Faculdade de Administração da USP de Ribeirão Preto, Denise Lustri, comentou que a falta de mão-de-obra não é uma exclusividade de Sertãozinho e por isso o Brasil tem muito a perder. Segundo ela, essa escassez de trabalhadores com qualificação pode ser um fator determinante para que multinacionais instaladas no país optem por transferir ou criar centros de pesquisas e desenvolvimentos em outros países considerados emergente como a Índia e China. “Por isso bons exemplos devem ser copiados em abrangência nacional. Atitudes isoladas não vão acabar com o problema da doença crônica da falta de mão-de-obra especializada”, explica.
Hora de estudar
Escola de Fábrica
O projeto “Escola de Fábrica” começará agora em março. Até o momento cinco empresas de Sertãozinho aderiram ao projeto. Os contemplados, que são estudantes do ensino médio, receberão aulas de qualificação profissional dentro da própria indústria. Cada empresa oferecerá 20 vagas nos cursos de caldeiraria, solda, elétrica, mecânica e metalúrgica. Os 100 alunos selecionados receberão um auxílio de R$190 e certificado no final do curso.
“Minha empresa, por exemplo, vai oferecer as vagas para soldadores, atendendo a necessidade primária da minha indústria”, explica Mário Garrefa, empresário e presidente do Centro de Indústrias de Sertãzinho. Garrefa ainda explicou que as outras empresas oferecerão as demais vagas e no final do curso, que terminará após a especialização, as empresas dividirão os alunos entre eles. “Dos meus 20 alunos eu devo ficar com três, os demais ficarão a disposição dos outros empresários. Eu com certeza vou precisar de eletricistas, soldadores e mecânicos que virão das outras fábricas que aderiram ao projeto”.
Para participar no “Escola de Fábrica” o jovem deve estar estudando regularmente em uma escola de ensino médio de Sertãozinho. A assistente social da prefeitura fará um levantamento social dos alunos e chamarão os de baixa renda para participar do projeto. “No final do curso, além dos alunos receberem o certificado eles terão seus empregos garantidos”, comenta Garrefa.
E para atender ainda mais a demanda de qualificação profissional de Serãozinho, o Senai da cidade já triplicou o número de vagas nos cursos de aprendizagem industrial, técnicos e programas de formação continuada. Para atender também a demanda de inovação tecnológica, Sertãozinho já recebeu de braços abertos uma Faculdade de Tecnologia (Fatec) que já está funcionando com cursos gratuitos voltados aos setores industriais e sucroalcooleiro, atendendo também essa necessidade do município.
Os interessados em garantir especialização profissional devem ficar atentos nas datas dos processos seletivos que costumam ser bastante concorridos. “Um diploma não garante nada. Então não vá para a escola só para fazer prova. Invista no seu conhecimento”, aconselha Denise Lustri, mestre em Administração pela USP e especialista em gestão de pessoas.
3 Comentários
parabéns renan bela reportagem!
beijos
Vivi- jornal a cidade
Meu caro, você nasceu jornalista. Parabéns pela matéria e pelo reconhecimento que você vem tendo. Saiba que tudo isso é muito merecido.
Bjus,
Ludmila Amorim, publicitária.
quero saber como entro em contato com a cidade de sertaozinho para trababar.e ir de mudança com a familia toda