Dona Léia estudou até 4ª série, hoje é uma trovadora
POR Renan Gouvêa
Mesmo tendo tendo frenquentado a escola até a quarta série do ensino fundamental a aposentada Léia de Jesus Michelon Felício, 78 anos, é umas das trovadores do Brasil. Hoje, Léia faz parte da Casa do poeta e do escritor
e da União dos trovadores, ambos de Ribeirão Preto. No ano passado ela foi homenageada pela Câmara dos vereadores no dia internacional das mulheres por ter sido uma dos destaques femininos na cidade. Ela também reserva tempo para pintar quadros com a técnica de óleo sobre tela. Inclusive, uma de suas obras de arte “Casa fazia” é capa do livro que publicou.
Seus poemas são no formato de Cantigas de Amigo, mas ao invés de sofrer com o amor não correspondido, a trovadora sofre por não poder retornar ao passado. “Nos meus sonhos, sou transportada para o passado. Quando acordo eu ia logo procurando meu caderninho para fazer os poemas”, lembra a trovadora.
Léia ainda disse que na infância, quando as aulas começavam, ela nem via a hora de chegar as férias tudo para ter mais tempo de observar a natureza do sítio em Bebedouro, onde residia. “Eu abria os braços e fingia ser um passarinho. Mas o que voava mesmo era o tempo”, disse.
Esse amor pelas belezas naturais também lhe renderam uns puxões de orelhas. “Às vezes eu ficava até tarde da noite no meio do mato. Todos ficavam preocupados com minha ausência aí eu ficava com a orelha vermelha mesmo”, comenta.
Dos poemas que ela fez para seu pai, sua mãe e do trem de São Paulo para Goiás, Léia sabe de cor e salteado. Mas para viver no passado que tanto amou ela recorre ao presente em que também se diz estar feliz e ainda faz questão de ler em voz alta o poema “Encontrar-se” cujos versos finais rezam:
“…Todo beco tem saída
E o importante é querer
É na procura que se encontram
Mil razões para se viver.”
Quando perguntada sobre as principais mudanças que aconteceram em sua vida, Léia faz uma analogia singela entre passado e presente. “Era uma vez… Era outra vez…”.
Serviço:
Livro: “Caminhar”.
Autora: Léia de Jesus Michelon Felício.
Preço: R$ 20,00
Venda: Rua Paraíso, 461.
Contato: 3630.3046.
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Alma e suor pingados na chapa garantem clientela
Um dos tradicionais lanches de carne e queijo da Vila Tibério se encontra na rua Santos Dumont, 887. Tendo na rua o nome de um dos maiores inventores brasileiros o dono do estabelecimento, o Ademar Morena, o Seu Demá, também dava assas a imaginação e lançou a lenda urbana
dizendo que seu lanche era bom porque pingava sua alma e seu suor na chapa. “É uma lenda que pegou”, comenta Rita de Cássia Paulino, esposa do seu Demá.
O advogado Roberto de Carvalho, 65 anos, é ribeirão-pretano, mas mora a quatro décadas na capital paulista. Sempre que volta para Ribeirão Preto, o Bar do Demá é parada obrigatória e ainda faz questão de levar os lanches de carne e queijo para comer no caminho para São Paulo. “Nunca comi lanches como o dele”, disse.
Infelizmente Seu Demá faleceu em dezembro de 2007. Em uma pagina de relacionamento com 169 membros, um dos associados se conforta com a perda afirmando que o Seu Demá foi fazer um lanche de carne e queijo para Jesus e não volta mais. “Bom descanso”, pede. “Tem amigos do Demá que nunca mais voltaram para o bar. Eles dizem que o lugar carrega muita lembrança dele.”, comenta Rita.
Flávia Emilia Rodrigues, outra paulistana, sempre que vêm a Ribeirão Preto para visitar os parentes faz questão de passar na rua Santos Dumont para comprar o lanche do Demá. “Só que agora não tem a alma e o suor do Demá. Nunca mais será o mesmo”, afirma. Rita também concorda. “Lanche como o Demá, só o dele mesmo.”.
Apesar de não ter os ingredientes que só o Seu Demá sabia fazer, o Bar do Demá continua em plena ativa. Ele é tocado pela sua esposa e filhos. Funciona de segunda a sábado a partir das 19h. (Renan Gouvêa).