Crianças aprendem a resolver conflitos
116 crianças da Escola Municipal Raúl Machado aprendem a resolver os conflitos interpessoais através de um método de ensino desenvolvido em instituições de ensino dos EUA
POR Renan Gouvêa
Cerca de 28 crianças da primeira série do ensino fundamental de uma escola municipal de Ribeirão Preto estão desenvolvendo suas habilidades comportamentais com o programa Eu Posso Resolver Problemas (EPRP), modelo de ensino aplicado em escolas norte-americanas. Nesse método, o professor trabalha com temas como auto-controle e valores humanos com o objetivo de amenizar os conflitos interpessoais entre os colegas de sala de aula como brigas e xingamentos. No final do programa o estudante aprende a pensar nas suas atitudes passando a conter seu comportamento impulsivo e turbulento, fato este que contribui para o ensino-aprendizagem da sala.
O programa funciona com regularidade na Escola Municipal Professor Raúl Machado, onde cerca de 116 crianças já passaram por esse método de ensino. A professora de alfabetização Dâmaris Simom Camelo Borges implementou o programa em suas turmas para melhorar a relação dos alunos em sala de aula e aperfeiçoar a qualidade do ensino-aprendizagem. “No final os alunos são capazes de compartilhar objetos, esperar quando necessário e se entendem um com os outros”, explica. Ainda segundo ela o aluno consegue identificar o sentimento do colega a ponto de ficarem preocupadas.
Dâmaris ainda explica que o EPRP contribui para a evolução social da criança, pois o principal objetivo do programa é incentivar o pensamento na resolução de problemas. “Nesse processo o aluno passa por um ajuste social. Isso é visto em sala de aula. Eles reduzem as provocações e discussões e controlam suas emoções”, explica.
Edna Marturano, médica e professora da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto que acompanhou a aplicação do sistema na Escola Municipal, percebeu que no final do EPRP os que tinham comportamento compulsivo e atrapalhavam o andamento da turma, se readaptaram ao contexto escolar melhorando o ambiente em sala de aula. “Numa sala de 30 alunos em que sete eram bagunceiros e depois melhoraram o comportamento, com certeza é um resultado para se comemorar”, comenta.
Dâmaris optou em desenvolver o programa com as crianças da primeira série por saber que dos quatro aos nove anos elas começam a formar o censo moral, segundo a literatura cientifica. “É importante lembrar que o trabalho foi elaborado para melhorar a convivência das crianças na sala de aula. Além do mais, o clima da escola vai melhorando a cada dia”, defende.
O EPRP apresenta 83 lições práticas para melhorar o comportamento das crianças contribuindo para o ensino em sala. As atividades incluem jogos, literaturas, brincadeiras com fantoches e desenhos em papéis. Quando surge uma questão de conflito, Dâmaris estimula a reflexão dos alunos sobre a situação e espera delas a solução. “Eu sou uma mediadora. Fico perguntando o que mais eles podem fazer para resolver o problema”, ilustra. “Mas a solução deve vir deles”.
A professora diz que no começo, quando as crianças brigavam por um objeto, elas tinham o impulso de bater para pegar o objeto ou pegar e sair correndo. “Após o programa elas se entendem sozinhas pedindo ‘por favor’, ‘me empresta’ e ‘vamos revezar’”, relata.