4º Prêmio Vladimir Herzog de Novos Talentos

 

POR Daniela Meibak, Mariana Barbar, Mariana Dente, Marina Melo e Monica Patente

        Foi durante a infância que Renan de Carvalho Gouvêa começou a praticar o jornalismo, sem ao menos saber que o estava fazendo. Como todo professor de ensino fundamental, a sua professora da segunda série pediu uma redação sobre as férias dos alunos da Escola Municipal Almeida Júnior, em São Paulo. O garoto, que tinha apenas oito anos, escreveu sobre a primeira férias sem sua mãe, que havia falecido no parto de sua irmã.herzog

O jornalismo passou a realmente fazer parte da sua vida no curso técnico de telecomunicações, em Ribeirão Preto, para onde se mudou ao completar 11 anos de idade. Renan desenvolveu um jornal de sala que informava aos alunos desde as matérias das provas até os perfis dos próprios colegas.

A mais recente conquista do estudante, que atualmente cursa o terceiro ano de jornalismo na UNAERP, foi a 4° edição do Prêmio de Novos Talentos do 30° Prêmio Vladmir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos, sendo este um dos prêmios mais reconhecidos do ramo jornalístico. A entrega foi realizada no último dia 27 de outubro, no Teatro Tuca. O prêmio foi criado em homenagem ao jornalista, Vladmir Herzog, preso pela ditadura militar, torturado e morto nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo, em outubro de 1975. O intuito do evento é reconhecer e premiar os jornalistas que, através de seu trabalho, colaboraram com a promoção da cidadania e dos Direitos Humanos e Sociais.  

A premiação foi apresentada pelo jornalista Herodoto Barbeiro, e contou com a presença dos representantes das instituições colaboradoras, como a do presidente do Sindicato dos Jornalistas, José Augusto de Oliveira Camargo, do presidente da Câmara Federal, Arlindo Chinaglia, da família de “Vlado”, entre outros. Na abertura, houve a execução do Hino Nacional em ritmo de samba, apresentada pelo primeiro grupo de teatro de rua da cidade de São Paulo. A platéia contou com nomes importantes, como o do senador Eduardo Suplicy, do jornalista Caco Barcellos, e da ex candidata a prefeitura de São Paulo, Soninha.

O objetivo da criação da categoria de Novos Talentos para estudantes, já que existia o prêmio para os profissionais, foi prestar mais uma homenagem ao Herzog e, ao mesmo tempo, fazer com que os jovens tomassem conhecimento de quem foi Vladimir Herzog e sua importância para o jornalismo brasileiro, esclarece Franklin Valverde, representante do Sindicato dos Jornalistas. Outro propósito da premiação seria valorizar os futuros profissionais, estimulando-os a elaboração de reportagens para os jornais-laboratório das faculdades.

De acordo com o representante do sindicato, os critérios de avaliação são simples: os jurados escolhem aquelas matérias que tratam de um aspecto dos direitos humanos e que tenham qualidade jornalística. Para o Renan, ter ganhado o prêmio foi algo inesperado, mas que trouxe muitos benefícios a ele, “a conquista do Herzog me colocou no epicentro da atenção. Muitos querem ler minhas reportagens, comentam e sugerem pautas para eu fazer”. A reportagem que proporcionou tudo isso foi, “Bairro Lixão – esquecido pela justiça”, (http://renangouvea.wordpress.com/bairro-lixao/) que fora publicada no Jornal do Ônibus, um jornal basicamente de prestação de serviços, “nunca imaginei que uma prestação de serviço pudesse ter uma repercussão tão grande”, explica Renan.

A idéia da matéria surgiu da junção do interesse de Renan pelo jornalismo de rua e um caso problemático que acontecia em sua cidade. Três bairros da zona leste de Ribeirão Preto foram construídos em cima de um aterro sanitário, as famílias que moravam no bairro lixão foram taxadas como faveladas e 70 casas foram afundando. Alguns pediram indenização à prefeitura, mas não obtiveram retorno. Sete famílias se recusaram a se retirar do local, e a prefeitura tirou a guarda de seus filhos, ou seja, forçaram a retirada. Até hoje, nenhum desses casos foi julgado, e esse foi o enfoque da reportagem, com o objetivo de que essas famílias recebessem aquilo que lhes é por direito.

O jovem jornalista se esforçou muito para evidenciar o sofrimento dos moradores e hoje está contente por ver que além de grande veiculação, a sua reportagem trouxe resultados positivos, “para minha alegria e sensação de dever cumprido, a prefeitura da cidade construiu praças no lugar das casas demolidas. renanAntes os moradores ficavam em meio aos entulhos”. Toda essa dedicação tem relação com o seu sentimento pela própria família. Renan tem direito a cinqüenta por cento de bolsa na faculdade e para pagar o restante, seu pai decidiu vender uma casa muito significativa para eles, inclusive cenário de muitas lembranças de sua mãe. Os familiares, que não tiveram a oportunidade de cursar um ensino superior, depositam as expectativas no estudante, que não enxerga isso como uma pressão e sim como um incentivo.

A exemplo do ganhador, que se inscreveu para o prêmio pela primeira vez, ao ver que sua matéria tinha algo a ver com direitos humanos, muitos outros iniciantes na carreira jornalística também devem se sentir motivados a buscar experiências como essas, que só contribuem para o bom jornalismo no Brasil.

Um Comentário

  1. Aeeeeeeeee esse é o fiote premiado heheh!!
    Parabéns Re, vc merece!!


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