A reportagem “Criatividade garante sustentabilidade agrícola” foi publicada no jornal O Estado de S. Paulo no dia 11/12/08 por meio da “Semana Estado de Jornalismo”.  Participei da Semana em novembro de 2008 e ganhei a quarta Semana com a pauta “Sustentabilidade Empresarial/Agricultura”. Participaram do evento cerca de 900 estudantes de jornalismo de 52 faculdades paulistas. Deste , apenas 16, entre eles eu, foram classificados para concorrer a uma bolsa de estudos de seis meses na Universidade de Comunicação de Navarra, em Pamplona, na Espanha, através do 3º Prêmio Banco Real Jovem Jornalista que funciona em parceria com o Estadão.

 

Criatividade garante sustentabilidade agrícola

Aposentado cria verdadeiras “engenhocas barulhentas” com rótulo de ecológicamente corretas e quem tiver o invento na lavoura pode ganhar facilidades na hora de investir na empresa

 

POR Renan Gouvêa

Foto: Renan Gouvêa

A ruralidade de Ribeirão Preto, interior paulista, inspirou o aposentado Fernando Yoshizane, 60 anos, a inventar objetos voltados para a agricultura ecologicamente correta. O ribeirão-pretano criou aparelhos sonoros com garantia de preservação da fauna e proteção à colheita. A invenção já foi implantada em empresas voltadas para a cultura de cereais, fruticultura, piscicultura e cana-de-açúcar. 01-yoshizane-com-as-engenhocas-ecologicamente-corretas-foto-renan-gouvea1

Sua primeira criação foi um espantador sonoro batizado por Yoshizane de “Big Bang”. O invento é um cano com uma espécie de bolinha dentro que dispara cinco mil tiros em um intervalo de dois ou oito minutos, dependendo da necessidade do campo. A bolinha é impulsionada por um botijão de gás de 13 kg (GLP). “Já foi comprovada a garantia contra aves e animais predadores da lavoura desde o início do plantio até a colheita. Os bichos saem do lugar com o barulho e isso não causa danos ecológicos”, assegura Yoshizane.

Outra “engenhoca barulhenta” com o rótulo de ecologicamente correta é o inibidor de invasores com recursos da natureza, também criada por Yoshizane no início do ano. O inibidor são cornetas que propagam sons de predadores naturais do animal que se pretende “expulsar” da plantação. São 70 sons de predadores gravados em um MP3 conectado a uma máquina portátil que funciona com bateria de carro ou elétrica.

Yoshizane disse que a idéia do invento surgiu depois que ele observou a vinda de gaviões em um templo budista onde freqüenta que expulsaram as pombas e pardais do local. “Aí pensei em fazer um aparelho que reproduz o som dos predadores dos animais que prejudicam as plantações que tem em grande quantidade na região de Ribeirão”, disse.

Para o biólogo Ronaldo Munenori Endo, a invenção, ambientalmente falando, não causa problemas. “Se uma plantação estiver, por exemplo, com roedores eles vão sair com o som de uma águia que é sua predadora natural. Eles vão deixar de se alojar nas plantações para irem ao seu habitat natural”, explica.

Os inventos de Yoshizane já foram enviados para empresas de piscicultura em Minas Gerais e no Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, segundo o inventor, os inventos estão em mais de 200 empresas voltadas para a produção de cereais, frutas e cana-de-açúcar. “Os empresários estão contentes com invento”, revela. 

Segundo a especialista em Gestão Ambiental da Faculdade de Administração da USP de Ribeirão Preto, Sônia Borges de Oliveira, as empresas que têm invenções como as do Yoshizane em suas plantações são bem vistas no mundo empresarial. “Quem opta por formas alternativas de sustentabilidade na agricultura aumenta sua competitividade no mercado. Investir em gestão ambiental é um bom começo para os pequenos”, aponta.

A questão do ser ecologicamente correto se tornou hoje o requisito essencial para uma empresa conseguir financiamento em bancos, para seu crescimento. “Hoje a sustentabilidade agrícola é prioridade. As idéias do Yoshizane são ótimas e bem vista para nós. O pequeno produtor pode nos falar do invento em sua empresa que vamos dar ouvido a ele”, revela o gerente de um banco no segmento de agronegócio da Superintendência de São Paulo, Almir Ferreira Alexandre.

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